A criatividade em Portugal está em alta, os Junip que o digam.
Foi já há uns dias que encontrámos, por essa internet fora, um dos vídeos que mais nos chamou a atenção nos últimos tempos. Falamos da última obra de Nuno Barbosa, um videoclip para a música Without You, dos suecos Junip. Conseguimos chegar à fala com o seu criador, que nos contou como surgiu a oportunidade de fazer o videoclip, como decorreu o processo criativo e também partilhou connosco as suas ideias sobre o mercado de trabalho actual nesta área. Confiram o vídeo e, a seguir, a entrevista.
Como surgiu a oportunidade de fazer o vídeo para a música dos Junip?
Os Junip lançaram um concurso online no Youtube, que consistia em realizar o vídeo do tema “Without You”. Eu fui apenas um dos participantes, que não foi escolhido como vídeo oficial. Podem ver o vídeo vencedor aqui. O meu vídeo não foi escolhido pela banda mas tem tido uma boa crítica pelo público. Por exemplo o site “Mount-Video Awards” que escolhe diariamente três videos, escolheu o meu vídeo e atribuiu-lhe adesignação “Gold”. Depois, por votação do público, foi eleito o vídeo do mês, entre todos os filmes “Gold” escolhidos durante o mês de Agosto no “Mount-Video Awards”. E possibilitou-me também estar a dar esta entrevista!
A construção do videoclip foi um “trabalho de autor” ou este teve de obedecer a algumas regras anteriormente definidas?
Não existia qualquer regra prévia proposta pela banda, apenas pediam a nossa interpretação pessoal e muita criatividade.
A integração dos desenhos com imagem real é algo que resulta bem mas que não é usual ver-se em videoclips. A utilização deste recurso fez parte do conceito base do vídeo ou surgiu numa fase mais posterior?
Logo à partida decidi que iria usar animações integradas com imagem real. Na verdade quando estava a filmar os planos já sabia qual era o desenho que iria aparecer na imagem. O meu conceito inicial foi criar uma metáfora visual para cada frase da letra. Não quis criar uma narrativa linear concreta, mas sim algo mais onírico, como um sonho, e principalmente quis que o espectador tivesse a sua própria interpretação.
Existem videoclips que pouco têm a ver com a música e outros que cujo produto final é quase óbvio. Há uma fórmula para se fazer um bom videoclip?
Penso que não existem fórmulas, mas um factor muito importante é a originalidade. É um factor diferenciador, que vai fazer com que mais tarde as pessoas se lembrem do vídeo. Os videoclips são uma óptima plataforma para experimentação, tanto para novas técnicas como para novas linguagens visuais.
Uma vez que já tem experiência de trabalho nesta área com outros videoclips e trabalho com outras bandas, como vê o mercado de trabalho e as oportunidades neste sector em Portugal?
Já houve tempo em que as editoras tinham muito dinheiro para investir nas bandas e na sua promoção. Depois da era dos MP3, as editoras passaram a vender muito menos discos, e por consequência, a ter menos orçamento para investir na imagem das bandas. Nos dias de hoje a maioria dos videoclips são feitos por amigos das bandas, que não cobram muito, ajudam os seus amigos e promovem o seu próprio trabalho. É isso um pouco que se passa comigo, para já tenho feito essencialmente vídeos para amigos, bandas que gosto não só pela música mas também pela amizade.
